quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pedaço de papel



E ela o olhava em maneiras despidas de um conforto inerte, jogada ali, na mesa de madeira grosseira do bar da esquina, sem saber ao menos de que forma olharia o mundo depois de mergulhar nos olhos dele; irreversível, fundo, tenro, sinuoso e lascivo, o penúltimo instante de seus esforços.

por: ébrio ocasional. ele mesmo!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

felícia adams

a relidade desce de forma muito amarga pela minha garganta. muito real para essa hora da noite. uma coisa que eu odeio é perceber demais as coisas às 23:55. amanhã preciso acordar cedo, e esses tipos de consciência me tiram o sono. e de quem não tira? dou uma sacudida no meu reflexo apático no espelho, mordo a mão do sujeito refletido. grito uma porção de vezes "vai dormir, porra, é isso aí mesmo". aí eu penso que o bob dylan sabe das coisas. e se eu souber agora dá para evitar cretinices maiores e se eu ler as coisas que acontece com os outros posso inverter a situação. "não pode", anuncia as minhas instalações cerebrais. dou um banho de alcool nas danadas eté elas afirmarem o contrário. merda, já é a amanhã e me sinto um personagem ogro de frank miller. to precisando fazer as unhas.


ass: ela.
é, ela mesma.

sábado, 13 de junho de 2009



; ) estado de espírito
ass: ella

sábado, 6 de junho de 2009

Memories so old


"You called me after midnight,
must have been three years since we last spoke.
I slowly tried to bring back,
the image of your face from the memories so old.
I tried so hard to follow,
but didn't catch the half of what had gone wrong,
said "I don't know what I can save you from."


e vamos carregando, mais um que se foi.
Eu tento, com disciplina e eu continuo, na risca.

por: cegonha velha obesa.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

agua com açucar e sal

You´re a part tome lover
and a full time friend
The monkey on your back is the latest trend
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you ass: ELLA

sábado, 16 de maio de 2009

Têm dias em que postar duas vezes ainda é pouco

Há um tempo atrás eu comecei a questionar a falta de paixão que estava abortando algumas coisas em minha vida, sentia uma vontade imensa de sentir aquele fogo adolescente que vem acompanhado por estrelas pra ver.
Dei várias desculpinhas medíocres, a melhor delas foi a da "paixão madura" que não nos deixa fantasiar tanto, adotei-a para evitar a caça das tais borboletas indigestas. Indigesta sim ficou essa maneira de rotular e dominar um questionamento recorrente.
Pensando bem, estou começando a inspirar novos códigos para pensar essa bagaça pós 20 anos. Começo a pensar que a saudade que sinto não tem fundamento no tal fogo ou no manto de estrelas sobre nós, a melancolia vem da ausência do envolvimento puro, do toque que descobre, das lágrimas em dúvidas que não querem ser desfeitas, da inocência que fazia tudo mais límpido, virgem e fugaz.
É isso, não que eu queira abrir a janela e suspirar, subir no terraço e beijar. Não que não queira ser sentimenlizado em cartas ou em ideais. Só preciso concluir algo hoje.
A idade trás consigo a raridade das surpresas.
com o amor do seu pão de queijo
Guto

Quando o silêncio se justifica

Eu não acredito que as músicas sejam formadas pelo som das notas musicais em si, mas sim pelo silêncio existente entre elas.
Assim como as canções, as boas idéias também são construídas pelos intervalos de silêncio existentes entre uma e outra.
Guto
p.s: comprei um livro sobre a história social do Jazz escrito pelo Eric Hobsbawm e quero come-lo para te contar depois.

terça-feira, 12 de maio de 2009

pagando de modeloatrizdançarinadofaustão




domingo na chácara
by guilherme gerais
mya

domingo, 10 de maio de 2009

BERRANTE!

Vou tentar reclamar pouco, juro. Mesmo porque, existe uma máxima que diz que reclamar só piora. Vou exercitar a meu direito de piorar as coisas, poxa.
O dia está vazio, murcho, apático, branquelo. Preciso estudar e não tenho forças, queria estar com a minha mãe para dar a ela um beijo sincero e ficar chamando-a a todo momento. Como, arroto, deito, assento, troco a música e todas as notas parecem ter a mesma entonação desinteressada. Tudo isso me enche, exceto pelos intervalos de silêncio, esses sim, ditam mais ritmos do que as próprias notas musicais.
Estou berrando tanto que começo a chutar traseiros errados, uma mensagem de texto chego no celular dizendo para desconsiderar uma fatura e eu penso que poderia ter vindo no outro celular... Pra quê dois números de celular? Por acaso um serve pra dizer "alô" e o outro pra dizer "tchau"? Mania dos excessos que fingem facilitar as coisas.
Mania de perseguição, síndrome da solidão dominical, frango da minha avó sendo comido por todos, menos eu, saudades do vizinho!!!!!!!
Não quero nada! Só por hoje eu não quero ter querer nada!
Guto, O trágico.

momento dominical

o céu tá fazendo um barulho semelhante ao meu estômago, quando recebe caldos e caldos de hortelã, melancia, tuti fruti, durante horas, e não vê pedaços consistentes - pouco mastigados- caindo feito flocos daqueles que caem em cima dos chocolates de propaganda.

"hoje tem festa no céu..." como diz a minha mãe.


/mya

sexta-feira, 8 de maio de 2009

pausa para uma reflexão

O meu desejo neste momento é rasgar algumas de minhas formas de traduzir e digerir a realidade, me mudar temporariamente para uma fazenda, cuidar de vacas, perceber o peso de uma enxada, e então, escrever sobre os sentimentos que de fato formam o ser humano. As leituras ambiciosas de onde eu tanto tiro inspiração só serviram para que eu enxergasse uma faxina necessária, a função do lixo é questionar o uso das coisas.
Agora eu entendo as coisas que o meu avô diz sobre a virgindade...

Guto

pausa para o desespero

entre livros de semiótica e pós-modernidade, eu me encontro jogada em universo amórfico, no qual as minhas reais vontade poderão começar a ter a devida atenção num tempo de contagem regressiva.


mya

sexta-feira, 1 de maio de 2009

peep toe

caminha agitada até o quarto... se faz ser vista através da largas janelas, nada mais nela é familiar, a não ser pelas unhas dos pés. ainda me lembro das cores que usava: quando estava de bom humor, vermelho, vivo, da cor de tomate maduro; quando se encontrava intimista e fantasiosa, deixava cor de vinho tinto, me dava vontade de voar nos seus pés, antes mesmo de cair em seus braços e quando as deixava semi transparente, sabia que precisava manter distância, supunha um "bom dia, estou atrasada, te vejo no final de semana?" mas naquele dia, pude reparar que estavam cor de uva escura, porém não exatamente pelo jeito que mexia no cabelo e deslizava os pés pelos corredores da casa, mas sim pela escolha dos sapatos que deixavam as unhas a mostra. pensei comigo: "sapatos abertos durante a semana?" passou descompensada pelo porteiro sem cumprimentar, entre os carros distribui sorrisos e entrou na padaria de costume: "um pedaço daquele bolo e daquela torta", disse puxando o canto da boca para o lado e continuou:" tudo para a viagem". engoli seco, me afastei, já com o jornal na cara, emergindo na cadeira, ouvi um "obrigada" vibrante e o sininho da porta, sinal de que se abria e se fechava. da janela pude ver tomando abrir um guarda chuva, pedir um taxi e partir...




mya

domingo, 26 de abril de 2009

O meio de todas as coisas

entre o fim do começo e o começo
do fim toda coisa tem uma massa
inerte feito ponte pela qual
passamos distraídos - ou não:
os astecas sentiam chegar o exato
momento do meio da vida - o meio
do meio da vida, o momento em que
o que já vivemos é exatamente
igual ao que ainda não vivemos
- e nesse momento preciso o mais
comum dos astecas sentia uma súbita
e inexplicável vontade de tomar um trem
mas como ainda não o tinham inventado
ele acabava por entristecer-se
(daí a tristeza, essa vontade de algo
que ainda não inventaram)

Gregório Duvivier nasceu no Rio de Janeiro em 1986.
Poema retirado do livro "A partir de amanhã eu juro que vai ser agora"

quinta-feira, 23 de abril de 2009

não sou música feliz

Boa noite, meu amigo

A primeira passada de zóio no seu texto, as palavras se fizeram mosaico, e a única coisa que eu realmente lembro são as duas palavras "Vida Simples". Não que, apesar de fáceis, eu tenha entendido. O que é uma vida simples? Será que conseguimos viver uma "Vida Simples"?

Hoje me fiz de todas as complexidades disponíveis no mercado, quase não compreendi o que tentava me dizer. Li e reli, mais de cinco vezes, juro!

De madrugada sonhei que estava grávida. Segurei os meus peitos e pensei, "nossa, estão enormes!". Fui capaz de pensar que estava realmente grávida, entrei em pânico. Neurótica do jeito que eu sou, pensei em tudo. Quando eu digo tudo, você pode imaginar até no diálogo que eu travei comigo mesma, no banho, a respeito das fraldas: "Melhor as de pano? Mas aí precisaria de uma máquina de lavar."

Durante à tarde raciocinei: "Sou maluca, não tem como eu estar grávida!!

Passado o tremor brando, um novo abalo sismico percorreu as minhas vértebras e um magma de milhões de graus celsios eclodiu da minha boca: "Viver é uma mentira, daquelas de fofoca de secretária que reivindicou salário e não conseguiu: ´Tenho certeza que a feioza da minha chefe não me deu aumento porque sou mais gostosa que ela (aham)´."

Por que tudo isso? Conversas no horário de almoço sobre (é, eu tenho esses tipos de conversa) a economia e política americana.

"Preciso pensar em pesquisar para a minha vida, de forma que eu mesma crie alternativas sustentáveis e memoráveis a minha e a vida dos outros. As pessoas se atem a direitos humanos fúteis. O que não sabem é que isso é fachada para crimes muito mias hediondos"

(é dá sono sim)

E tinha a complexidade de categoria F5, sobre o meu TCC, mas isso geraria toneladas de vômitos desnecessários.

A vida simples é toda cheia de orquídeas raras e plantas que dão flores todos os meses? A vida simples é de relaxar, de fazer escambo e de esquecer do futuro?

Você parece tão feliz, e eu me tranfigurei em uma nuvem negra e fedorenta sobre a sua mesa de café da manhã.

sobre as ideias... fotografei a aura de seus ares cores de outono, guardei o filme no baúzinho de fitas, do lado da minha mesa, para rever depois, porque hoje estou cinza grafite.

te amo

mya

Acordei meio assim, óh...

Miarráinha;

Fazia tempos que eu não acordava lentamente, tomava um banho artesanal e me escorava numa mesa de café simples e saborosa, fazia tempos que eu não saía pelas ruas lendo algo sem medo de chocar a testa com algum poste.
Fiz tudo isso e fiz mais, sorri. A manhã estava agradável, o sol brilhava de bom humor e a brisa ventilava bons assuntos e fofocas pelas esquinas, eu ia lendo uma crônica sobre a troca nas relações humanas que dizia que nada é de graça, tudo possui um fundamento de vontade que busca compartilhar idéias e sentimentos. A revista é a
Vida Simples que me inspira há anos mas que nos últimos meses andou meio esquecida em meio a textos técnicos e Filosofia arrojada. Essa leitura da manhã me obrigou a ser mais atento ao caminho percorrido tanto entre as frases quanto pelos passeios do meu bairro, fez com que as letras, tremendo em simples sentidos e idéias, desaguassem numa consciência íntima de forte efeito em meu dia.
Logo depois do assunto “troca” veio uma curiosidade sobre o Butão (sim, o paísinho que tem quase o tamanho do Rio de Janeiro, situado entre a China e o Tibete). O artigo contava sobre o FIB, um índice criado no Butão que busca diagnosticar e analisar a Felicidade Interna Bruta. Pensei em valores e nas necessidades que criamos por aí, pensando e chutando postes pela rua, escrevendo, lendo, desconstruindo e criando nossos próprios territórios e sensações de prazer, expectativas e desejos. Pensei na simplicidade de uma casinha com uma horta nos fundos, pensei nos valores e raízes de uma boa família, na música clássica que inspira qualquer momento e desenvolve a ternura das manhãs em pássaros e calma.
A atenção desenvolvida ao conjugar a leitura com os passos, acabou por trazer constatações valiosas sobre uma vida levada com mais simplicidade e generosidade. Generosidade ao pensar a calma e simplicidade ao pensar nos valores que trazem a tal felicidade, bruta.

Por: Guto Franco

segunda-feira, 20 de abril de 2009

doces são estímulos

guto,
se relacionar é possivel..
é tão normal e gostoso.
ele entra com as imagens, eu com as palavras.
acho que sou apaixonada por ele.
de uma maneira racional e nada burra..
o que é isso?



mya

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Se é para dizer bobagens...

Estou sendo praticamente obrigado a ouvir Spice Girls neste momento, de cara eu pensei "que porra, essas gurias são realmente cafonas e são do tempo em que as minhas amigas ensaiavam coreografias para se sentirem as mais populares da sala de aula". Foi aí que relutei.
Se essas meninas coloridas e apimentadas ("If you wanna be my lover") são antiquadas e despertam um certo desgosto moral em quem as ouve é porque algum sentido elas fazem lá no fundo, NE?! O objetivo não é criticar sobre qualidade dos arranjos e mixagens ou se as letras são literariamente considerável, o lance é, isso mexe com você?
Estou "embolachado" agora, me sentindo até mal em ter xingado as meninas baranguinhas que me levaram de volta a escola para reviver amigos que eu nem converso mais, fato é, Spice Girls e qualquer outra bagaça que você recorde aí faz parte de nossas vidas, é algo embrenhado em nossas estórias e nas construções de nossas compreensões críticas, e se for ver de perto, algum elemento condicionou alguma forma de representação em nossas vidas. Criticar é massa, meter o pau é fino também, mas parar para analisar os fatos de uma maneira, dizemos, mais benevolente, iremos permitir que a nossa visão vá um pouco além dos estereótipos dominantes. Vou começar o exercício admitindo que ouvir as meninoilas apimentadas foi legal.


Por: Gutolino

sábado, 21 de março de 2009

Para começar sendo infame

Fiquei um tempo bambeando por aí, sem lenço e sem lençol, na certa estive brincando com coisas diferentes para trazer mais cores para essa bagacinha aqui que tanto me orgulha.
Não vou falar mais de viagem e de biblioteca, ando querendo correr do óbvio para não perder a excentricidade que tanto me toca (sim, estou meio bêbado). Bem, me deu vontade de falar sobre a infâmia.
Tenho andando meio mal humorado e preso ao meu baita fone de ouvido que insiste em The Strokes e Radiohead para não perder a pinta de "o baladeur modernoso do bairro", bem mas eu continuo querendo falar sobre a infâmia.
Fico eu aqui todo metido a "fodinha" achando que todos deviam estar inclusos numa vidinha mais letrada enquanto todos só pensam em se jogar na cerveja mais barata e ouvir qualquer música que excite as zonas traseiras do corpo. Eu gostaria de ver as pessoas assistindo menos "Domingão do Faustão", gostaria de ver menos esposas encharcando as panças nas pias de lavar louça enquanto os maridos perdem tempo especulando futebol e chamando os amigos de "véi", adoraria ver menos crianças ouvindo músicas que denigrem o ser humano, soltaria foguetes se o resbolah resolvesse atacar todas as casas de Big Brother que contagiaram todos os países às custas da fome humana. Bem, mas eu só gostaria.
É infame criticar toscamente assim, eu sei, mas é mais infame ver que o nosso futuro rebola na nossa cara e nos chama de "tigrões" e "cachorronas". Não suporto mais ver calcinhas frouxas, pessoas feias (sim, feiúra de espírito e que foda-se o "politicamente correto" também). É infame ver a humanidade vendendo-se a preço tão baixo, falar de bunda aqui soaria cliché.
Estou pensando agora que eu não gostaria de retomar os meus textos aqui lamentando ou desabafando qualquer coisa, mas não teve jeito, o que eu andei vendo por aí não encaixa com a triste realidade que o nosso país vive ("nosso país", isso parece início de redação de alguém que estuda Direito). Sim, é revoltante presenciar o ceticimos que nos invade quando fazemos um ligeiro exercício de observação, quando procuramos diagnosticar o estado de evolução que a nossa sociedade vive.
Volto meio cético mas não menos bem humorado!

Guto Franco

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

UAU

dica para um sorrido de capa de revistade R$5cão
Bonita, você que quer ter esse sorriso MARA numa foto caseira, feita por um de seus braços, para depois estampar na sua página de relacionamentos e ter milhões de coments, hoje eu ensinarei como ter esse efeito. Primeiro desenterre o seu lápis dos escombros do seu quarto, finalmente você encontrará uma utilidade para ele. Enfie apenas a parte traseira do lapis entre os dentes. Agora dê um sorriso. E sinta-se como dissesse "RÁ". Dica: na hora de pronunciar o "rá" movimente o rosto e o corpo para parecer mais natural e saudável. Tire cuidadosamente o objeto da boca e está pronto. Tire quantas fotos você puder e "azarre" nesse verão





mya sem cosmosonthebeach

domingo, 8 de fevereiro de 2009

só de céu cinza

hoje estou para não ser compreendida. diferentes dos dias que eu mostro aversão por pessoas abstratas demais. talvez escreva p desabafar pela metade, porque isso certamente iria assustar muitos se vissem a arma completa de balas. mas se não vou ferir os outros então consequentemente vou ferir a mim, guardando todo o veneno. não é um dia trágico, com personagens dramáticos e um visual escuro de mocinhos obtusos. podia ser se eu pensasse mais nisso e imaginasse toda a cena, no entanto eu não gosto muito de construir história para esse fato, adio, não me curo por inteira, aí esses requícios: um saco, de 89 kg de açucar, com um buraquinho de 2mm, sendo carregado por mim durante anos. and I've been thinking. can we be alone?




mya

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Uma certa tarde em Paris

Estava lendo cartas velhas na tela do computador inundada pela luz do final da tarde, me aprofundei nas frases de amor ditas e repetidas em tom de promessa. Os olhos foram correndo pelas letras em som de trens arranhando trilhos, a mente gemia em tons dissonantes e incompressiveis e a memoria ia rasgando.
Parei num paragrafo derradeiro, e la na rua pessoas começavam a gritar e a cantar. Eram estudantes e professores da Sorbonne manifestando. Eu, menino jogado entre o pessimismo e as boas paisagens, não pensei duas vezes: peguei a câmera, a mochila, me enrolei num lenço palestino e me libertei pela primeira "sortie" que vi.
Penetrei comedidamente na marcha, estava no meio de boinas, faixas, bandeiras, cantos, sorrisos. Fotografei personagens afim de compreender melhor do que os meus olhos gostam, gritei e cantei mas manifestei outras demandas da vida além daquelas que eram a razão da manifestação. Na verdade, era o que cada um deles também fazia ali

por: Guto Franco

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Saudosa amiga querida

Vive-se aqui em Paris uma paixão pela historia que avassala nos estrangeiros, em questão de poucos dias, passamos da figura de um abobado estranho para a de um legitimo francês, oui? Alors, je me visto e alimento como eles, poetizo a vida com os acordes locais. Em cada esquina, porta e placa, vemos a historia amarrando um profundo e doce orgulho, patriotismo bordado por muita historia e luta. Falando em luta, aqui na França, manifestação é coisa séria, não é apenas vaidade esquerdista e carnaval.

Ando pelas ruas misturado pelas fortes sensações e reflexões que as paisagens e os habitantes pintam pelos muros, isso me remete a sentimentos de paixão pelo conhecer, desvendar e observar o mundo. Notre Dame; Île de la Citté; Bastille; Shakespeare and Co; Marais; Micheline Day; Jardins du Luxembourg; Place de la Republique; Ernest Hemingway; Montmartre; Victor Hugo; Les invalides; Theatre Odeon...

Sinto o sabor avassalador de cada passo regido pelo jazz e ainda tenho quase um mês por aqui.

Um beijo cheio da velha e boa saudade perdida no meio do atlântico.

Guto Franco

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

postcards from brazil

Olá , meu amado confidente

Se passaram apenas dois dias, mas já sinto a sua falta. Também nos últimos quatro meses nos falamos todos os dias, é meio dificil não sentir saudades. Só desta forma a gente repara o quanto nos apegamos às pessoas. Logo eu, imagina, não sou muito de reclamar por saudade.

Você deve ser a segunda pessoa que ouve (lê) de mim essa palavra, "Saudades", com intensidade merecida. Exagero? Mas tem gente que não gosta de dizer "eu te amo". Eu, "saudades". Nós amamos tantas coisas durante a vida, os anos, os meses.. Até mesmo durante o dia! Por exemplo: eu amo, absurdamente, enlouquecidamente, ir a uma padaria linda, olhar todos aqueles doces coloridos, escolher um e se sentar numa mesa de canto, com uma garrafinha de água gelada. Aquele momento é único. Mas é só um doce, depois disso vou embora feliz. Eu também amo ficar em silêncio com alguém especial, ouvindo música, sem ter o compromisso de explicar o que eu estou pensando naquele momento, ou quem sou eu, e o quem eu já fui, e quem eu serei.. A não ser por uma condição: caso os dois inventem absurdos sobre a vida. "Fantasiar" também é uma das coisas que eu amo fazer. Só que eu também amo não precisar correr para não chegar atrasada no jornal. Geralmente isso sempre acontece, estou sempre atrasada.

Sabe, a gente ama todas as banalidades. Porém, "saudades"... essa palavra é muito maluca, remete a um conjunto, injusto, de coisas lindas...

É... "saudades"... Uma mistura de todas as causas do "frio na barriga". Definitivamente, todas. Neste caso, todos os "bons friozinhos na barriga". Pode-se dizer que eu fico derretida com essa palavra. Melhor, derretida quando alguém diz isso para mim. Não queria ser tão transparente assim. No entanto, quem garante que seja verdade tudo o que eu digo e o que eu sinto?
Ultimamente tem acontecido coisas interessantes, ainda irei te contar. Não sei se vou me lembrar... Pode ser que elas morram, pode ser que elas se renovem... e outras coisas mais excitantes fiquem em seu lugar.

Eu estou numa fase assim... displicente. Gostaria de compartilhar com você.

Gostaria de saber, também, como é acordar displicente em solo parisiense. Até mesmo.. como é acordar "no sense"... ou um "puto amargurado" - esse último acho que foi coisa minha. Imagina, não desejo que acorde um "puto amargurado", em Paris, ao contrário. Serão as melhores férias, você vai ver. Tome, por mim, um drink exótico com majericão, pimenta e vodka no Café Charbon.. Não, não.. procure pelo L’Abreuvoir, sente-se ao lado do poster de Chuck Berry, peça uma "Orval" ( 6,2%, ). Volte para casa, dançando, acompanhado da garrafa, com dois dedinhos de cerveja. Cante "La Vie En Rose", faça um brinde... Como nas noites das vodgas...
Aproveite...

Je suis son absence, que les rois de boissons exotiques et de l'amour vrai, vous contrôlez
baisers, pain au fromage


mayhara

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

os blás blás blás de sexta

na minha tarde.

Quanta vertigem aquela luz pode causar
quando focada a muitas milhas?
Embora minha posição
apenas te dê uma ignição
esteja certa de que conheço minhas preces
Então é assim que termina?
Oh! Com um drama ao invéz de uma explosão
Não posso defender você verdadeiramente
quando me preocupo em fumar ao em vez de jogar o fogo fora
E se resolvermos isso
Teremos chances
Nos ficaríamos em nosso lugar
para nenhum outro amor melhor
adeus

No One's Better Sake - little joy

sábado, 10 de janeiro de 2009

Tarde de sábado

Bebi o sol, li a piscina, quarei num livro à beira de uma cerveja...

Toda ordem traz em si uma semente de desordem.

por: zebra onlaini

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Madrugada, bilhete e cheerleader

São quase duas da matina e eu achei um bilhete no bolso externo da mochila que arranhou o coração feito o som choroso de um violino [ainnnnnnnnn] . Não tive “colher de chá”, meo.

Então, começaram os questionamentos em cima do som do violino...

Será que as teorias e entendimentos que desenvolvemos intimamente apaziguam realmente os nossos anseios e angustias? Posso exemplificar pra ser mais claro, uma garota líder de torcida e super popular da sessão da tarde sente ansiedade quando está perto de um garoto loser da sua sala, é difícil compreender, mas quando uma outra coleguinha sua rotula o fato – “é paixão” – por um lado, a cheerleader nega e por outro, ela se sente mais confortável – “ahhh agora o bichinho tem nome”. Deu?

Voltando às “quase duas da matina”, uma seqüência (nunca vou abandonar o trema...) de reflexões e cenas me vieram na caixola. São os detalhes que me fazem sofrer quando um grande amor se vai, me apego profundamente a eles. A letra da pessoa, o seu timbre de voz, o olhar quando ela está pensando em algo sério, a textura do cabelo que recebe a ponta dos dedos enfim, alguns pequenos referenciais que adotamos. Não é fácil viver assim, mas naquele momento eu fiquei mais calmo simplesmente por ter entendido a reação estranha que senti ao encontrar o bilhete.

Rotular é ordenar, controlar e exercer o poder sobre o treco que sente.

por: bode velho