quinta-feira, 23 de abril de 2009

Acordei meio assim, óh...

Miarráinha;

Fazia tempos que eu não acordava lentamente, tomava um banho artesanal e me escorava numa mesa de café simples e saborosa, fazia tempos que eu não saía pelas ruas lendo algo sem medo de chocar a testa com algum poste.
Fiz tudo isso e fiz mais, sorri. A manhã estava agradável, o sol brilhava de bom humor e a brisa ventilava bons assuntos e fofocas pelas esquinas, eu ia lendo uma crônica sobre a troca nas relações humanas que dizia que nada é de graça, tudo possui um fundamento de vontade que busca compartilhar idéias e sentimentos. A revista é a
Vida Simples que me inspira há anos mas que nos últimos meses andou meio esquecida em meio a textos técnicos e Filosofia arrojada. Essa leitura da manhã me obrigou a ser mais atento ao caminho percorrido tanto entre as frases quanto pelos passeios do meu bairro, fez com que as letras, tremendo em simples sentidos e idéias, desaguassem numa consciência íntima de forte efeito em meu dia.
Logo depois do assunto “troca” veio uma curiosidade sobre o Butão (sim, o paísinho que tem quase o tamanho do Rio de Janeiro, situado entre a China e o Tibete). O artigo contava sobre o FIB, um índice criado no Butão que busca diagnosticar e analisar a Felicidade Interna Bruta. Pensei em valores e nas necessidades que criamos por aí, pensando e chutando postes pela rua, escrevendo, lendo, desconstruindo e criando nossos próprios territórios e sensações de prazer, expectativas e desejos. Pensei na simplicidade de uma casinha com uma horta nos fundos, pensei nos valores e raízes de uma boa família, na música clássica que inspira qualquer momento e desenvolve a ternura das manhãs em pássaros e calma.
A atenção desenvolvida ao conjugar a leitura com os passos, acabou por trazer constatações valiosas sobre uma vida levada com mais simplicidade e generosidade. Generosidade ao pensar a calma e simplicidade ao pensar nos valores que trazem a tal felicidade, bruta.

Por: Guto Franco

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