entre o fim do começo e o começo
do fim toda coisa tem uma massa
inerte feito ponte pela qual
passamos distraídos - ou não:
os astecas sentiam chegar o exato
momento do meio da vida - o meio
do meio da vida, o momento em que
o que já vivemos é exatamente
igual ao que ainda não vivemos
- e nesse momento preciso o mais
comum dos astecas sentia uma súbita
e inexplicável vontade de tomar um trem
mas como ainda não o tinham inventado
ele acabava por entristecer-se
(daí a tristeza, essa vontade de algo
que ainda não inventaram)
Gregório Duvivier nasceu no Rio de Janeiro em 1986.
Poema retirado do livro "A partir de amanhã eu juro que vai ser agora"
domingo, 26 de abril de 2009
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2 comentários:
... então, a busca pelo prazer de construir no imaginário... tudo o que é criado no real, dificilmente supera o que foi criado nos sonhos..
isso ameniza as coisas..
conversávamos sobre isso..
não se..
mas o que é isso?
está vazio?
Desde que li este poema numa revista, senti que deveria prestar mais atenção ao memento do meio da minha vida. Acho que esse momento ainda não chegou embora eu tenha vivido muita coisa...
Quero encontrar esse "meio" e talvez sentir esta vontade de tomar um trem, metrô... qualquer coisa que não me leve a sentir nenuma tristeza.
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