domingo, 26 de abril de 2009

O meio de todas as coisas

entre o fim do começo e o começo
do fim toda coisa tem uma massa
inerte feito ponte pela qual
passamos distraídos - ou não:
os astecas sentiam chegar o exato
momento do meio da vida - o meio
do meio da vida, o momento em que
o que já vivemos é exatamente
igual ao que ainda não vivemos
- e nesse momento preciso o mais
comum dos astecas sentia uma súbita
e inexplicável vontade de tomar um trem
mas como ainda não o tinham inventado
ele acabava por entristecer-se
(daí a tristeza, essa vontade de algo
que ainda não inventaram)

Gregório Duvivier nasceu no Rio de Janeiro em 1986.
Poema retirado do livro "A partir de amanhã eu juro que vai ser agora"

quinta-feira, 23 de abril de 2009

não sou música feliz

Boa noite, meu amigo

A primeira passada de zóio no seu texto, as palavras se fizeram mosaico, e a única coisa que eu realmente lembro são as duas palavras "Vida Simples". Não que, apesar de fáceis, eu tenha entendido. O que é uma vida simples? Será que conseguimos viver uma "Vida Simples"?

Hoje me fiz de todas as complexidades disponíveis no mercado, quase não compreendi o que tentava me dizer. Li e reli, mais de cinco vezes, juro!

De madrugada sonhei que estava grávida. Segurei os meus peitos e pensei, "nossa, estão enormes!". Fui capaz de pensar que estava realmente grávida, entrei em pânico. Neurótica do jeito que eu sou, pensei em tudo. Quando eu digo tudo, você pode imaginar até no diálogo que eu travei comigo mesma, no banho, a respeito das fraldas: "Melhor as de pano? Mas aí precisaria de uma máquina de lavar."

Durante à tarde raciocinei: "Sou maluca, não tem como eu estar grávida!!

Passado o tremor brando, um novo abalo sismico percorreu as minhas vértebras e um magma de milhões de graus celsios eclodiu da minha boca: "Viver é uma mentira, daquelas de fofoca de secretária que reivindicou salário e não conseguiu: ´Tenho certeza que a feioza da minha chefe não me deu aumento porque sou mais gostosa que ela (aham)´."

Por que tudo isso? Conversas no horário de almoço sobre (é, eu tenho esses tipos de conversa) a economia e política americana.

"Preciso pensar em pesquisar para a minha vida, de forma que eu mesma crie alternativas sustentáveis e memoráveis a minha e a vida dos outros. As pessoas se atem a direitos humanos fúteis. O que não sabem é que isso é fachada para crimes muito mias hediondos"

(é dá sono sim)

E tinha a complexidade de categoria F5, sobre o meu TCC, mas isso geraria toneladas de vômitos desnecessários.

A vida simples é toda cheia de orquídeas raras e plantas que dão flores todos os meses? A vida simples é de relaxar, de fazer escambo e de esquecer do futuro?

Você parece tão feliz, e eu me tranfigurei em uma nuvem negra e fedorenta sobre a sua mesa de café da manhã.

sobre as ideias... fotografei a aura de seus ares cores de outono, guardei o filme no baúzinho de fitas, do lado da minha mesa, para rever depois, porque hoje estou cinza grafite.

te amo

mya

Acordei meio assim, óh...

Miarráinha;

Fazia tempos que eu não acordava lentamente, tomava um banho artesanal e me escorava numa mesa de café simples e saborosa, fazia tempos que eu não saía pelas ruas lendo algo sem medo de chocar a testa com algum poste.
Fiz tudo isso e fiz mais, sorri. A manhã estava agradável, o sol brilhava de bom humor e a brisa ventilava bons assuntos e fofocas pelas esquinas, eu ia lendo uma crônica sobre a troca nas relações humanas que dizia que nada é de graça, tudo possui um fundamento de vontade que busca compartilhar idéias e sentimentos. A revista é a
Vida Simples que me inspira há anos mas que nos últimos meses andou meio esquecida em meio a textos técnicos e Filosofia arrojada. Essa leitura da manhã me obrigou a ser mais atento ao caminho percorrido tanto entre as frases quanto pelos passeios do meu bairro, fez com que as letras, tremendo em simples sentidos e idéias, desaguassem numa consciência íntima de forte efeito em meu dia.
Logo depois do assunto “troca” veio uma curiosidade sobre o Butão (sim, o paísinho que tem quase o tamanho do Rio de Janeiro, situado entre a China e o Tibete). O artigo contava sobre o FIB, um índice criado no Butão que busca diagnosticar e analisar a Felicidade Interna Bruta. Pensei em valores e nas necessidades que criamos por aí, pensando e chutando postes pela rua, escrevendo, lendo, desconstruindo e criando nossos próprios territórios e sensações de prazer, expectativas e desejos. Pensei na simplicidade de uma casinha com uma horta nos fundos, pensei nos valores e raízes de uma boa família, na música clássica que inspira qualquer momento e desenvolve a ternura das manhãs em pássaros e calma.
A atenção desenvolvida ao conjugar a leitura com os passos, acabou por trazer constatações valiosas sobre uma vida levada com mais simplicidade e generosidade. Generosidade ao pensar a calma e simplicidade ao pensar nos valores que trazem a tal felicidade, bruta.

Por: Guto Franco

segunda-feira, 20 de abril de 2009

doces são estímulos

guto,
se relacionar é possivel..
é tão normal e gostoso.
ele entra com as imagens, eu com as palavras.
acho que sou apaixonada por ele.
de uma maneira racional e nada burra..
o que é isso?



mya

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Se é para dizer bobagens...

Estou sendo praticamente obrigado a ouvir Spice Girls neste momento, de cara eu pensei "que porra, essas gurias são realmente cafonas e são do tempo em que as minhas amigas ensaiavam coreografias para se sentirem as mais populares da sala de aula". Foi aí que relutei.
Se essas meninas coloridas e apimentadas ("If you wanna be my lover") são antiquadas e despertam um certo desgosto moral em quem as ouve é porque algum sentido elas fazem lá no fundo, NE?! O objetivo não é criticar sobre qualidade dos arranjos e mixagens ou se as letras são literariamente considerável, o lance é, isso mexe com você?
Estou "embolachado" agora, me sentindo até mal em ter xingado as meninas baranguinhas que me levaram de volta a escola para reviver amigos que eu nem converso mais, fato é, Spice Girls e qualquer outra bagaça que você recorde aí faz parte de nossas vidas, é algo embrenhado em nossas estórias e nas construções de nossas compreensões críticas, e se for ver de perto, algum elemento condicionou alguma forma de representação em nossas vidas. Criticar é massa, meter o pau é fino também, mas parar para analisar os fatos de uma maneira, dizemos, mais benevolente, iremos permitir que a nossa visão vá um pouco além dos estereótipos dominantes. Vou começar o exercício admitindo que ouvir as meninoilas apimentadas foi legal.


Por: Gutolino