sexta-feira, 1 de maio de 2009

peep toe

caminha agitada até o quarto... se faz ser vista através da largas janelas, nada mais nela é familiar, a não ser pelas unhas dos pés. ainda me lembro das cores que usava: quando estava de bom humor, vermelho, vivo, da cor de tomate maduro; quando se encontrava intimista e fantasiosa, deixava cor de vinho tinto, me dava vontade de voar nos seus pés, antes mesmo de cair em seus braços e quando as deixava semi transparente, sabia que precisava manter distância, supunha um "bom dia, estou atrasada, te vejo no final de semana?" mas naquele dia, pude reparar que estavam cor de uva escura, porém não exatamente pelo jeito que mexia no cabelo e deslizava os pés pelos corredores da casa, mas sim pela escolha dos sapatos que deixavam as unhas a mostra. pensei comigo: "sapatos abertos durante a semana?" passou descompensada pelo porteiro sem cumprimentar, entre os carros distribui sorrisos e entrou na padaria de costume: "um pedaço daquele bolo e daquela torta", disse puxando o canto da boca para o lado e continuou:" tudo para a viagem". engoli seco, me afastei, já com o jornal na cara, emergindo na cadeira, ouvi um "obrigada" vibrante e o sininho da porta, sinal de que se abria e se fechava. da janela pude ver tomando abrir um guarda chuva, pedir um taxi e partir...




mya

2 comentários:

Felipe Melo disse...

Tá, num primeiro momento eu só vou criticar (como sempre)... q isso virou discípulo de Saramago?

vou ler de novo e com mais calma... não hoje, amanhã... daí eu comento de novo.

Paulo Augusto Franco disse...

Sabe... pensar a vida em fragmentos irrepetíveis é meio cruel.
Eu sempre penso de forma a não deixar as coisas escaparem, mas elas escapam mesmo assim.

saudades da minha broa com calda de erva doce.