Olá , meu amado confidente
Se passaram apenas dois dias, mas já sinto a sua falta. Também nos últimos quatro meses nos falamos todos os dias, é meio dificil não sentir saudades. Só desta forma a gente repara o quanto nos apegamos às pessoas. Logo eu, imagina, não sou muito de reclamar por saudade.
Você deve ser a segunda pessoa que ouve (lê) de mim essa palavra, "Saudades", com intensidade merecida. Exagero? Mas tem gente que não gosta de dizer "eu te amo". Eu, "saudades". Nós amamos tantas coisas durante a vida, os anos, os meses.. Até mesmo durante o dia! Por exemplo: eu amo, absurdamente, enlouquecidamente, ir a uma padaria linda, olhar todos aqueles doces coloridos, escolher um e se sentar numa mesa de canto, com uma garrafinha de água gelada. Aquele momento é único. Mas é só um doce, depois disso vou embora feliz. Eu também amo ficar em silêncio com alguém especial, ouvindo música, sem ter o compromisso de explicar o que eu estou pensando naquele momento, ou quem sou eu, e o quem eu já fui, e quem eu serei.. A não ser por uma condição: caso os dois inventem absurdos sobre a vida. "Fantasiar" também é uma das coisas que eu amo fazer. Só que eu também amo não precisar correr para não chegar atrasada no jornal. Geralmente isso sempre acontece, estou sempre atrasada.
Sabe, a gente ama todas as banalidades. Porém, "saudades"... essa palavra é muito maluca, remete a um conjunto, injusto, de coisas lindas...
É... "saudades"... Uma mistura de todas as causas do "frio na barriga". Definitivamente, todas. Neste caso, todos os "bons friozinhos na barriga". Pode-se dizer que eu fico derretida com essa palavra. Melhor, derretida quando alguém diz isso para mim. Não queria ser tão transparente assim. No entanto, quem garante que seja verdade tudo o que eu digo e o que eu sinto?
Ultimamente tem acontecido coisas interessantes, ainda irei te contar. Não sei se vou me lembrar... Pode ser que elas morram, pode ser que elas se renovem... e outras coisas mais excitantes fiquem em seu lugar.
Eu estou numa fase assim... displicente. Gostaria de compartilhar com você.
Gostaria de saber, também, como é acordar displicente em solo parisiense. Até mesmo.. como é acordar "no sense"... ou um "puto amargurado" - esse último acho que foi coisa minha. Imagina, não desejo que acorde um "puto amargurado", em Paris, ao contrário. Serão as melhores férias, você vai ver. Tome, por mim, um drink exótico com majericão, pimenta e vodka no Café Charbon.. Não, não.. procure pelo L’Abreuvoir, sente-se ao lado do poster de Chuck Berry, peça uma "Orval" ( 6,2%, ). Volte para casa, dançando, acompanhado da garrafa, com dois dedinhos de cerveja. Cante "La Vie En Rose", faça um brinde... Como nas noites das vodgas...
Aproveite...
Je suis son absence, que les rois de boissons exotiques et de l'amour vrai, vous contrôlez
baisers, pain au fromage
mayhara
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
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Um comentário:
A saudade é uma parada que esta totalmente repousada no nosso olhar...
No caso, eu a sinto todas as vezes em que vejo um estilo diferente transitando pelo metrô de Paris e fico querendo fotografar para depois fofocar com vc (as pessoas aqui têm receio de serem fotografas, talvez seja trauma dos velhos tempos da espionagem de guerra, talvez frescura mesmo). Voltando aos olhares, é quando eles estão a brilhar que eu sinto saudade, e ai é que esta o sentindo do 'sentir falta'.
Beibe, o fato é que, sinto uma saudade absurda e queria ter colocado vc nos ombros e ter te trazido.
De alguma forma, você esta aqui e eu estou ai e isso, é culpa da saudade.
Guto
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