Estava lendo cartas velhas na tela do computador inundada pela luz do final da tarde, me aprofundei nas frases de amor ditas e repetidas em tom de promessa. Os olhos foram correndo pelas letras em som de trens arranhando trilhos, a mente gemia em tons dissonantes e incompressiveis e a memoria ia rasgando.
Parei num paragrafo derradeiro, e la na rua pessoas começavam a gritar e a cantar. Eram estudantes e professores da Sorbonne manifestando. Eu, menino jogado entre o pessimismo e as boas paisagens, não pensei duas vezes: peguei a câmera, a mochila, me enrolei num lenço palestino e me libertei pela primeira "sortie" que vi.
Penetrei comedidamente na marcha, estava no meio de boinas, faixas, bandeiras, cantos, sorrisos. Fotografei personagens afim de compreender melhor do que os meus olhos gostam, gritei e cantei mas manifestei outras demandas da vida além daquelas que eram a razão da manifestação. Na verdade, era o que cada um deles também fazia ali
por: Guto Franco
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
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Um comentário:
eu vi o close que vc deu no guri de cachecol cinza. e na guria de meias coloridas. eu estava lá, no canto, encostada na perede de tijolinhos à mostra.
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